Sunday, May 14, 2006

Chupinhando

Um cara falou isso na comunidade da BIZZ no orkut e achei perfeito - queria eu ter pensado nisso...

"MP3 é o comida a quilo da música: é prático, é bacana, é útil, é muito mais democrático, mas algo grosseiro."

AMÉM!

Tuesday, April 25, 2006

Pai: - Que filme você foi assistir hoje?
Eu: - Os três enterros de Melquíades Estrada.
Pai: - Nunca ouvi falar nesse diretor!
Eu: - .....!


P.S.: Blogs funcionam bem durante as férias...

Tuesday, February 21, 2006

Complete as lacunas... (ou fato curioso parte III)

"Desde seu início, o show já dava mostras de reunir todos os ingredientes fundamentais para um agitado acontecimento, durante duas horas de intensos embalos. O profissionalismo da equipe de produção, a sofisticada parafernália eletrônica, os requintes dos efeitos visuais, uma infra-estrutura jamais vista no Brasil em shows, os 140 mil watts da aparelhagem não falharam um único momento, davam o suporte para que o baixista __________, o guitarrista __________, o baterista ___________ e o cantor ________ mostrassem porque são capazes de lotar estádios de futebol. Desfilaram seus maiores sucessos, mostraram sua técnica vocal e instrumental em rocks pesados, baladas e canções românticas, alternando momentos de lirismo com outros de alta vibração, fazendo o público cantar as letras completas de quase todas as músicas."
Folha de S. Paulo do dia 21/__/____: Rock, luzes e muita emoção
Se você pensava que a resposta teria nomes como Bono, The Edge, Larry Mullen Jr. e Adam Clayton, está muito enganado. Coloque John Deacon, Brian May, Roger Taylor e Freddie Mercury e você terá a resposta certa: trata-se de reportagem da Folha de São Paulo publicada em 21/03/81, após o show para 200 mil pessoas que o Queen fez no mesmo estádio do Morumbi um dia antes.
Pressionante, não?

Fato Curioso - parte U2

Senhores,

O post principal está aqui embaixo, mas me esqueci de apontar um fato bastante curioso que mostra realmente a qualidade do espetáculo apresentado. Por inúmeros momentos esqueci-me completamnete da existência dos quatro músicos sobre o palco: não entortava o pescoço nem ensaiava pulos na tentativa de ver os quatro músicos. O telão tomava 100% de minha atenção...

A Beautiful Day

Antes de fazer qualquer consideração sobre o Show do U2 que vi ontem, devo, sem dúvida alguma, explicar os motivos que me levaram a ir ao show (e por conseqüência enfrentar 6 horas de fila um mês atrás...). Ao contrário dos mais de 70 mil fãs que lá estavam para ver “a banda de sua vida” ou “uma de suas bandas favoritas”, o U2 para mim não representava muita coisa. Ok, é uma banda cujo trabalho devo respeitar, mas mesmo assim não é uma banda que me toque de “uma forma especial”. Para mim é mais uma banda como tantas que se estiver tocando na rádio eu provavelmente não irei mudar de estação – mas nada além disso. Comprar CDs? Eu, tão viciado na compra dos redondinhos, tenho apenas uma coletânea da produção da banda na década de 80 – e é só. Uma coletânea que, por sinal, não ouço muito.

Devem estar se perguntando “e que foi fazer no meio daquela multidão então?”. Assistir a um espetáculo grandioso. Era isso que ouvia sobre a turnê – adjetivos superlativos, comentários sobre a beleza e a grandiosidade da produção. Vou perder uma oportunidade histórica dessas? Não senhor!

E lá estava eu ontem. Eu e mais 70 e poucas mil pessoas.

A coisa começou bastante morna com a entrada dos escoceses do Franz Ferdinand. Outra banda que eu não conhecia e que teve a ingrata tarefa de abrir um show daquelas proporções. Utilizando-se de um décimo do palco e de um centésimo da potência do som a impressão que a banda passava era a de que realmente estariam aptos a dar um grande show em um pequeno local fechado – mas lhes falta muito ainda para conseguirem captar a atenção de um estádio de futebol lotado.

E espera, espera, espera até que as luzes se apagam, a fumaça começa a subir e depois a sumir, revelando os contornos de The Edge. E então vem o inacreditável: o gigantesco telão atrás do palco se acende – e neste momento você sabe que está prestes a ver um dos maiores espetáculos da terra durante as próximas duas horas.

A banda é de fato extremamente profissional e competente. Uma bela cozinha, um belo guitarrista, um vocalista que é, acima de tudo, um grande performer, e, principalmente, um público impressionante, capaz de cantar de cabo-a-rabo todas as músicas do repertório da banda sem desanimar por um minuto sequer.

E a cada música o espetáculo visual tornava-se mais surpreendente. Em ‘Vertigo’ o telão mostra todo o seu potencial e em ‘Still Haven't Found What I'm Looking For’ é a vez do público mostrar todo seu potencial.

E a beleza tecnológica, que fique claro, não é exibida apenas pelo telão gigantesco. Como era de se esperar, em determinado momento Bono pede para que todos liguem as luzes de seus celulares...e pronto: você acaba de presenciar o momento mais bonito e emocionante da noite – um estádio lotado iluminado por luzes azuis e verdes por todos os lados cantando ‘One’ em uníssono. Inevitável não se ver imaginando no momento sobre como deve ter sido o mesmo Morumbi lotado cantando “Love of my life” (afinal, arrisco dizer que U2 é o herdeiro direto do Queen quando se fala em mega-shows...)...

Enfim, não tenho medo em dizer que, em termos de performance, nada superará o débil mental do Iggy Pop (não canso de repetir que ver o Bono Vox chamar uma moça da platéia para cantar uma música com ele no palco parece algo extremamente banal depois que já se presenciou uma invasão de palco incentivada pelo próprio Iggy Pop durante “No fun”...). Mas, da mesma forma, não tenho qualquer receio em dizer que em termos de espetáculo demorará muito para surgir alguém capaz de superar o que o Brasil viu ontem em transmissão quase ao vivo...

Senhores, eu fiz parte do maior espetáculo da Terra.

P.S.: Fato curioso foi meu desconforto assim que a banda entrou no palco. Acostumado com outros tipos de show, minha primeira reação foi erguer os braços com a mão fazendo o bom e velho símbolo “from hell” ( lml ). E conforme vou olhando em volta vejo que era o único fazendo o sinal – céus! Eu havia me esquecido que dessa vez o show não era de punk, não era de metal! Pelo contrário, era, de certa forma, o show de uma banda semi-gospel!

Sunday, February 19, 2006

Sobre o show do U2...

Uma apresentação competente de uma banda em grande fase. Uma estrutura grandiosa para uma banda grandiosa. Um público que não desanimou um minuto sequer apesar da chuva.

MAS, e daí? Eu já vi o Iggy Pop!
Vejamos se após o show eu mantenho essa opinião...

Friday, February 17, 2006

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No dia do juízo final eu vou poder alegar que aquilo é um tribunal de exceção?

Friday, February 10, 2006

?

If ice cream, will you listen?

Wednesday, February 08, 2006

Imagine que estoura no Brasil um novo animê ou mangá japonês. A coisa vira febre mesmo. Crianças e principalmente adolescentes acompanham o mangá/animê de forma fanática. O enredo não vem ao caso. O importante é que o personagem principal da série se veste como um formando, de beca, chapeuzinho, canudo na mão e tudo mais.

Pois bem, essa série, até onde eu sei, não existe.

Mas, ainda assim, imagine um Anime-Friends ou um Anime-Com com centenas de cosplays do referido personagem...

Pois bem, isso existe, e como eu descobri semana passada se chama Colação de Grau da Escola Politécnica Da Universidade de São Paulo.

Thursday, February 02, 2006

MP3 e egoísmo

Estamos ficando cada vez mais egoístas.

Em tempos de antanho, qualquer adolescente que se prezasse tinha como sonho de consumo um mini-system com seus X Watts de potência, capaz de ensurdecer o mais paciente dos vizinhos. Não bastava que nós ouvíssemos a música que nós desejávamos. Era preciso que nossos irmãos, pais, avós, cachorros, vizinhos, vizinhos dos vizinhos, etc., ouvissem a mesma música. E se reclamassem ou pedissem para abaixar a solução era uma só: ativar o ultra-boost-mega-bass-dolby-surround-sound!

Mas hoje não. Qualquer adolescente que se preze nos tempos atuais tem um grande sonho de consumo: um I-POD. O importante é que no carro, na escola, no ônibus e na academia eu possa ouvir a MINHA música. O vizinho que se exploda, a rádio Alfa que papai ouve que vá para o inferno – ou melhor, que continue lá mesmo! Agora não sou obrigado a ouvi-la – eu tenho um I-POD!

E assim, desde a invenção dessa geringonça, certamente adquirida pelos meus vizinhos, eu não mais sei qual a última moda no axé baiano, qual o mais recente relançamento da música cubana e versão de qual música faz sucesso hoje na Jovem Pan!

E ainda dizem que esse tal de MP3 derrubou fronteiras na música...

Wednesday, February 01, 2006

Baixo - Ilustre Desconhecido - Parte 1

Lembro-me que certa vez, um bom tempo atrás, afirmei com aquela certeza que somente um pré-adolescente é capaz de ter sobre um tema que desconhece por completo, que ‘o baixo bem tocado é aquele que você não ouve’. Possivelmente eu estava tentando reproduzir algo que eu tinha ouvido alguém falar mas não tinha entendido corretamente – certamente alguém reclamando que em determinado disco (pretendo comentar sobre isso especificamente em outro texto...) ou show o baixo mal tocado ou mal preparado se sobrepunha por todo o som com seus graves...

Talvez com um certo tardar, mas ainda a tempo, venho tentar desfazer esse erro histórico de minha pré-adolescência. Primeiramente, desculpando-me com o próprio instrumento, pelo qual vim a ter grande admiração posteriormente. E em segundo lugar, peço desculpas a todos aqueles que em algum momento de alguma discussão foram alvejados por argumentos fracos que culminavam com essa afirmação esdrúxula e estapafúrdia.

Não querendo me justificar, mas já o fazendo, o fato é que o contra-baixo, ou baixo, como preferirem, é um ilustre desconhecido para a grande maioria do público da música pop. Não que não esteja presente – pelo contrário, a música pop é invariavelmente marcada por linhas de baixo bem construídas, de Beatles a Bee Gees, passando por Ivete Sangalo e Vanilla Ice.

Coloco o público da música pop como foco por uma série de motivos: primeiro porque é justamente o tipo de pessoa com quem temos mais contato no dia-a-dia, contato este que nos fez constatar que o baixo ainda é um anônimo dentre os instrumentos; além disso porque em outros estilos de música, notadamente o Jazz, o contra-baixo possui um lugar de tamanho destaque na música, e seus admiradores acompanham a música dedicando uma atenção praticamente inexistente dentre o público da música pop, que seria impossível ao instrumento manter seu anonimato dentro deste grupo de ouvintes.

A questão que se coloca é: por que o baixo ainda é visto pelo grande público como ‘aquela outra guitarra meio desajeitada’ e o baixista como ‘aquele cara que balança a cabeça sem parar mesmo sem ninguém ouvir o que ele está tocando’? Por que quando falamos para alguém que tocamos baixo ouvimos sempre aquele ‘Ah...’ em conjunto com aquela cara de ‘não entendi mas não vou perguntar...’? Por que mesmo com a música pop tendo linhas de baixo marcantes, comentá-las é falar com as paredes?

Arrisco dizer que a resposta começa na infância, dentro de casa. Salvo as exceções de pessoas que já nascem com uma habilidade notável para a música e os casos em que os pais incentivam a criança de forma contínua e adequada, não somos educados em nossas casas, e muitas vezes as escolas não buscam cobrir tais lacunas, a escutar música. Escutar não como meramente ouvir música, tal como ouvimos a obra do apartamento de cima ou o cachorro do vizinho latindo durante toda a noite. Escutar a música da mesma forma que na infância degustamos uma Negresco – primeiro a ‘tampa’, depois o recheio que lambemos vagarosamente, encerrando com a outra ‘casca’. Não que devêssemos ser educados desde criança a sermos chatos que só ouvem SACDs remasterizados nas caixas de som de 5 mil dólares que permitem um som mais puro é limpo, permitindo a correta identificação de cada instrumento em cada faixa. Ora, se comemos uma ou duas Negrescos do pacote desta forma calma e minuciosa, enquanto devoramos o restante, podemos também ser educados a ouvir a música no radinho de pilha de baixa qualidade (acho que hoje as crianças chamariam isso de MP3 a 96 kbps...) e escutar uma ou outra música quando desejássemos.

Mas, como se sabe, não é isso que acontece. Ouvimos a música desde criança como se fosse uma coisa só (e a celebrada MPB com seu banquinho e violão não ajuda muito a mudar isso, é claro...) que já vem meio pronta e em conjunto.

E assim vai passando o tempo, vamos adentrando nas escolas de música e fazendo nossas opções pelos instrumentos. A guitarra é a preferida, sem dúvida, desde os seis anos de idade – criança alguma é capaz de passar incólume por uma sessão da tarde com Marty McFly tocando Johnny B. Goode no baile ‘Encanto Submarino’ em De Volta para o Futuro. O piano e o teclado é velho conhecido de todos – seu som é facilmente identificável e sempre existe a avó ou o tio que tem um encostado em algum canto da sala... A bateria, por sua vez, é a opção dos barulhentos. Os metais, coitados, são jogados todo no mesmo saco... E o baixo... Bem o baixo, salvo as exceções antes apontadas, é a escolha óbvia do pré-adolescente que quer ser diferente, mesmo não sabendo muito bem para que serve aquele instrumento que está empunhando de forma meio desengonçada.

Como tenho consciência que as pessoas têm pouca paciência para uma leitura longa em blogs, dividirei o texto em duas ou três partes. O restante das divagações sobre o baixo, portanto, continuo na próxima oportunidade...

Friday, January 27, 2006

Conflito Moral na Mesa do Boteco

Inúmeros filósofos, pensadores, estudiosos, ou simplesmente bêbados, buscam o conflito ético-moral em Antígona, de Sófocles. São capazes de passar horas e horas discutindo acerca do conflito moral narrado pelo dramaturgo grego, sem chegar à conclusão alguma. São até mesmo capazes de, numa atividade de grande esforço mental, fazer as mais variadas e desvairadas elucubrações sobre o que os grandes pensadores da pequena história da minúscula humanidade pensam ou pensariam a respeito do conflito moral suscitado por Sófocles em sua mais famosa peça. (para quem ainda não faz a menor idéia do que estou falando, não sabe quem é Antígona, não sabe qual era a posição de Sófocles na democracia corinthiana, etc, aqui vai o primeiro link do google sobre o tema: http://www.paidea.hpg.ig.com.br/sofocles/antigona.htm – de qualquer forma o que não faltam são links e edições da peça no mercado, incluindo uma da L&PM Pocket que se encontra em qualquer banca de revistas da cidade...).
Nada contra o esforço dos nobres colegas de bar, faculdade e rodas de samba. Pelo contrário, a iniciativa, per si, já merece aplausos. A questão que se coloca é que hoje, deslocada da realidade, a peça de Sófocles já não é mais o meio ideal para a discussão do tema do conflito moral. É certo que ainda um ou outro tem contato com a peça no colegial, uns vários na faculdade e outros tantos compram o livro sem querer nas bancas da cidade. Mas há de se convir que em tempos de Big Brother, novela das 8 e Copa do Mundo se aproximando, Antígona, Creonte, Hêmon e qualquer outro desses personagens que hoje seria motivo de chacota na lista de chamada, caem merecidamente no esquecimento após duas ou três cervejas.
Merecidamente? Será que este que vos escreve é a favor de uma sociedade amoral? Pelo contrário! A discussão deve continuar, a discussão precisa continuar! Mas não mais através de Antígona, mas sim pelas portas do mundo que se mostram meios muito mais eficazes para a discussão do tema do conflito moral.
Quando digo "portas" me refiro àquelas do plano físico mesmo, aquelas de madeira, com maçaneta e tudo. Aquelas que abrem de sopetão para passar o capitão e tudo mais. Mas antes que me questionem já explico. Não é qualquer porta que é capaz de fornecer subsídio para a discussão moral. Existem um tipo específico, um único tipo. São aquelas portas que contém em seu centro a seguinte inscrição, geralmente em letras garrafais:
ENTRE SEM BATER

Ora, quem nunca parou diante de uma porta dessas e simplesmente travou – lá ficou, parado na frente da porta durante minutos, horas, talvez dias!, sem saber o que fazer?
Afinal, as regras são claras. Foi com muito esforço que mamãe conseguiu nos ensinar a amarrar os sapatos, falar por favor, não conversar com estranhos e sempre bater na porta antes de entrar. Mas a escola, por sua vez, nos ensinou a ler e a interpretar aquilo que lemos – e neste caso a mensagem é bastante clara – a porta diz com todas as letras: desobedeça sua mãe.
O QUE FAZER AFINAL? Obedecer à mãe, que te colocou no mundo e tem a sabedoria da experiência? Ou obedecer à porta, inanimada, porém forte, sólida e rígida como a boa lei deve ser?
Prostrado inerte diante da porta fechada, além de se sentir um imbecil, você também se sentirá um personagem de desenho animado. Possivelmente seus colegas de trabalho nesta indústria vital não são pessoas tão interessantes quanto Leôncio, Zeca Urubu, os irmãos Warner, Batatinha, Espeto, Gênio, Bacana, etc. Mas certamente, diante da porta, se você olhar para o seu lado você verá (além dos colegas rindo da sua cara) um mini diabrete sobre um ombro e um mini ser angelical sobre o outro, cada um recomendando uma atitude distinta.
Não pretendo aqui, de forma nenhuma, chegar a um veredicto final sobre qual a atitude que devemos tomar diante de tal desagradável situação. Esta é um questão que não poderá jamais ser respondida com convicção por uma única pessoa: apenas uma roda de bar barato poderá chegar a uma conclusão aceitável.
O ponto que realmente me interessava era justamente este: trazer a discussão moral, a velha dicotomia regra moral X regra positivada, novamente para as mesas de bar de nosso Brasil. Pois embora hoje poucos sejam proibidos de prestar as devidas homenagens aos familiares falecidos, o debate moral ainda deve ser mantido! Por isso, não seja o chato da mesa que fala de Sófocles, Platão, Habermas, Kant e Foucault. Seja aquele que permite o desenvolvimento da humanidade, trazendo nossas dúvidas existenciais para o nosso dia-a-dia, para a mesa de bar, etc. Seja aquele filósofo do Fantástico, da Super-interessante e abra as portas para a evolução, com ou sem bater.

Monday, January 16, 2006

Divagações sobre uma fila de compra de ingressos para o U2

Cheguei ao Pão-de-Açúcar Real Parque às 06h30 da manhã de hoje. As vendas dos ingressos para o show do U2 começariam apenas às 10h. Três horas e meia de antecedência me pareciam mais do que o suficiente para garantir meu ingresso – dormir em fila não é pra mim, muito menos para o U2.

E ao que tudo indicava eu estava certo: havia aproximadamente 100 pessoas na minha frente a essa hora. 100 pessoas, cinco guichês, pois bem! Não tinha erro! Contando com o azar, ou melhor, com uma má organização, até o meio-dia eu estaria com ingressos em mãos.

Ok, logo de cara eu já devia ter suspeitado de algo – cavaletes apenas nos 5 primeiros metros de fila não é bom sinal... Mas para que ser chato? Cavaletes e cordas seriam o de menos se tivéssemos ingressos. E devo confessar que até às 10h00 a coisa toda estava bem agradável. Amigos de fila, conversa, música e a experiência única de tomar banho-de-sol em plena Marginal (porquê tomar banho-de-sol na laje é coisa de burguês...).

E então, às 10h00 em ponto tudo pareceu começar a funcionar. Demos os primeiros passos – os primeiros de poucos... A partir de então a desorganização imperou. Conflito de informações, boatos, fila que não anda, não anda, não anda, não... mais dois passos... não anda, não anda, não anda... mais quatro passos e assim sucessivamente.

E enquanto estamos lá parados passa um "fã" do U2 de perna quebrada, outro de muleta, uma, duas, três, seis grávidas, um senhor de 75 anos, outro de 81, uma senhora acompanhada dos netos (eu não sabia que a banda de Bono Vox fazia tamanho sucesso na terceira idade!). Por pouco não ouvi alguém dizer "Sabe, é que a camisinha furou ontem e acho que engravidei...Posso ir na fila preferencial??". Isso sem contar as crianças de colo de um metro e setenta.

E então me lembrei "Bono Vox não é aquele cara que defende as baleias, quer acabar com a fome na África, quitar a dívida dos países do terceiro mundo, estabelecer uma tradição de honestidade política, convivência pacífica, etc.? Enfim, ele não é o bom moço por excelência?". E ao me lembrar disso tentei encontrar em qual ponto exato do pensamento Bonovoxiano se encaixava a Lei de Gérson. Sim, porque com tantos "fãs" de Bono Vox tentando tirar vantagem até na compra de ingressos, não deve haver outra explicação – Bono deve ser um defensor da vantagem a qualquer custo...

Foi assim que re-descobri o que eu já sabia. É bonito falar que é fã do Bono, não pelas músicas, mas sim por sua atitude altruísta e tudo mais. Ah, falar... tão fácil, não? Já agir de acordo...

Nem sequer comentarei hoje sobre a falta de organização, falhas no procedimento dos organizadores, a questão das meia-entradas, etc. Deixo isso para depois que eu descobrir se tenho os ingressos ou não. Sim, porque saí ao meio-dia e meia da fila, deixando meu irmão em meu lugar e até agora não sei se ele conseguiu chegar às bilheterias que pareciam tão próximas, porém tão distantes...

Sunday, January 15, 2006

Dúvida

O chocolate meio-amargo é um chocolate meio-doce?

Monday, January 09, 2006

A irrelevância de ser fiel

Ao contrário do que se propaga por aí, o homem, ser humano do sexo masculino, é fiel por natureza. Não que as inúmeras histórias sobre infidelidade conjugal protagonizadas por homens sejam caluniosas ou inverídicas. Pelo contrário, são a mais pura retratação da verdade. O que me espanta, no entanto, é que sejam justamente as mulheres que propaguem essas histórias aos quatro cantos – justamente elas, as culpadas! Elas, que agem como o estabanado beque central que, ao cometer a falta dentro da grande área, falta clara, falta escandalosa, simplesmente levantam os braços no mais hipócrita dos gestos.
Se ainda não entenderam meu ponto, serei mais claro e objetivo. As mulheres, que acusam os homens de infiéis, são justamente as responsáveis por esse desvio comportamental. E não me refiro à "amante" que, como poderia se imaginar, com as promessas e belezas ímpares, se mostrariam irresistíveis para o homem infiel. As culpadas são justamente as traídas. As que se dizem vítimas são justamente as culpadas, que acusam o inocente homem naturalmente fiel, corrompido pelo padrão comportamental da companheira.
Não buscarei aqui analisar quais os comportamentos femininos que dão causa à infidelidade – este é um trabalho que deixo às leitoras deste blog. Me limitarei a comprovar que o homem é por natureza fiel.
Basearei minha argumentação em dois pontos, mas esclareço que a fidelidade masculina pode ser constatada em inúmeros outros exemplos.
Primeiramente o barbeiro. Embora o homem seja conhecido por não ser vaidoso (metrossexuais à parte), uma análise mais minuciosa do comportamento masculino nos revela que o cabelo (ou a falta de, muitas vezes) é a grande, se não a única, preocupação estética do homem. Seu cabelo, enquanto existe, é seu bem mais valioso, principalmente quando escasso, já que, como é sabido, quanto mais difícil de se encontrar determinado objeto, mais valioso este é. E a quem o homem confia seu bem mais precioso? Ao seu barbeiro. Veja bem ao seu barbeiro. "Mas você vai simplesmente passar a máquina! Não pode ir no barbeiro aqui da esquina que é até mais barato?" "Não! Não posso trocar o Marcão assim, sem qualquer motivo relevante! Ele corta meu cabelo desde meus 4 anos – ele sabe todos os meandros e trâmites internos de meu couro cabeludo! Não posso traí-lo por uma questiúncula econômico-financeira!". E assim Marcão estabelece um vínculo de confiança e fidelidade que ultrapassa gerações...
E o que dizer do time de futebol do coração? Ora, a mulher só tem uma reclamação mais forte que a referente à infidelidade – a referente à atenção dispensado aos programas futebolísticos de Domingo e Segunda-feira à noite, que discutem o lance polêmico como se discutissem o futuro da nação e a necessidade da iminente guerra nuclear! E lá está o homem, diante da tv e do rádio, fiel não só ao seu time de coração como também à opinião de seu comentarista favorito e seu apresentador mais querido. Quem ouve Jovem Pan não suporta ouvir o som "ecoado" de uma rádio Bandeirantes. Quem escuta as besteiras positivas de um Sílvio Luiz, não se rebaixa às besteiras impensadas de um Galvão. E é claro, quem torce para o Grêmio jamais o troca pelo Internacional...
E mesmo nos casos do "ele só me trocou por ela porque ela era mais nova, bonita e exuberante" não cabe acusar o homem. A culpada é mais uma vez a traída. Ora, ninguém troca de time porque foi rebaixado e o arqui-rival possui um esquadrão de galáticos e goleadores de dar inveja a qualquer seleção campeã do mundo. Pelo contrário, é justamente na Segunda divisão que o amor e a fidelidade demonstram mais força e paixão!
Ora senhores e senhoras, nem mesmo preciso comentar sobre a fidelidade do homem à sua meia furada, ao chinelo gasto ou à cueca velha e confortável que usa para dormir. Está provado: homens são fiéis, fiéis no sentido mais vil e mesquinho da fidelidade. Mas fiéis.

Thursday, January 05, 2006

E o ano começou prometendo...

Deu hoje, no primeiro caderno do Estadão:

Cientistas acham o maior número primo, com 9 milhões de dígitos

(...)
O número recém-anunciado é 2 elevado à 30.402.457ª potência menos 1. (...) "Estamos muito empolgados". disse Steven Boone, um dos líderes do trabalho. "Procuramos por ele por um bom tempo."

A descoberta faz parte de um concurso internacional, o Gimps, que pagará US100 mil para quem achar um número primo Mersenne com pelo menos 10 milhões de dígitos.

(...)

________________

Como diria João Klébber: depos dessa, o país vai parar!

Friday, December 30, 2005

SAMBALANÇO 2005

Quem eu quero enganar? Não tem jeito. Blogs são todos iguais. Blogs são pessoais. E blogs encerram o ano com o bom e velho balanço de final de ano. Para que tentar ser diferente? Vamos ao sambalanço e às resoluções.

Primeiro, o ano de 2005.

Era um ano que tinha tudo para ser absolutamente normal e parado. Mas fiz questão de movimentá-lo, devo admitir. Mas deixemos isso para depois...

O começo foi promissor, com festas de aniversário realmente grandiosas – as (observem o plural) melhores que tive certamente – grandes comemorações, com grandes amigos e sem aborrecimentos!

E se não bastasse, o ano trouxe, ainda, um dos dias mais memoráveis de minha vida – se não o melhor, certamente o segundo melhor, já que teria de concorrer com a “estréia” da peça de teatro em 2003 que, por uma série de motivos, devido ao seu papel importante no contexto e em minha vida como um todo – até o momento – merece o lugar mais alto do pódio. Ah sim, já ia me esquecendo de mencionar o dia – 1º de maio: 1º Brócolis Carnudos Rock Festival.

E então o ano foi e veio com muito mais – grandes momentos, grandes trapalhadas, grandes aborrecimentos, grandes chances de acabar com as coisas do modo certo na hora certa, mas sempre a opção de acabar na hora errada do jeito errado pareceu mais tentadora.

Enfim, um ano movimentado, bastante movimentado, conforme desejado. Um ano em que, por mais que existam percalços, as grandes amizades se fortaleceram ainda mais, como não poderia deixar de ser (leia-se Brócolis e agregados), e as amizades recentes (sim, porque, em comparação com amizades que já ultrapassaram uma década, as amizades de fóruns e faculdade invariavelmente parecerão sempre recentes...) também se engrandeceram, expandiram e fortaleceram.

É, mal posso esperar por 2006! Quais as espécies de trapalhadas que aprontarei dessa vez? Quais serão os eventos memoráveis? Qual será o novo sabor de Mate Suíço que experimentarei? São muitas questões, com 365 dias para responder!

Senhores, nos vemos lá!

P.S.: Resoluções de Ano-novo:
1) Dirigir.
2) Me formar.E é só, pq já é bastante.

Saturday, December 24, 2005

Pensamento ocorrido ontem, num passeio natalino paulistano...

As pessoas se vestem para ir ao Shopping Iguatemi como se estivessem indo à FAAP! Ou seria o contrário...?

Fato curioso

Ontem, num sebo no centro da cidade, mais precisamente à Praça João Mendes, encontrei o VHS de uma das pornô-chanchadas estreladas pro Xuxa Meneguel. O preço? A módica quantia de R$650,00.

No primeiro andar, neste mesmo sebo, encontrei A comédia humana de Honoré de Balzac e seus belos 17 volumes, todos em capa dura, em perfeitas condições - um verdadeiro achado de fato. O preço? R$680,00.

Tirem suas próprias conclusões...

Sunday, December 18, 2005

CAMPANHA DE CONSCIENTIZAÇÃO DO POVO BRASILEIRO

Brasileiro é um povo engraçado. Cansamos de reclamar que o mundo nos vê sustentados por um simples tripé, composto por mulheres, futebol e caipirinha. Entretanto, o que fazemos para mudar isso? Quase nada.

Buscando superar essa triste situação no cenário mundial é que eu, Paulo, através de meu fotolog e de meu blog, lanço a campanha "Vamos variar esses pés". O objetivo da campanha é bastante simples: se nós começarmos a encarar o nosso país como algo maior do que um mero somatório de "mulher, futebol e caipirinha", o mundo poderá também superar essa visão reducionista e ultrapassada do povo brasileiro.

Entretanto, uma campanha bem construída necessita de fases bem delimitadas e delineadas. Por isso na primeira fase buscaremos atacar a expansão de apenas um dos pés, dedicando-nos posteriormente aos dois restantes. Por motivos ÓBVIOS, o primeiro ponto a ser atacado é o que se refere ao futebol!

Dando início à campanha neste espaço eletrônico informo que NÃO SERÃO TOLERADOS COMENTÁRIOS SOBRE O ESPORTE BRETÃO, muito menos no que se refere ao âmbito internacional de suas competições. VAMOS FALAR DE VÔLEI, BASQUETE, HANDEBOL E PELOTA BASCA!
Comentários com as palavras e expressões "chupa porco", "tri", "tokyo", "mundial", etc., serão sumariamente apagados. Comentários e loas com as expressões "glorioso/imponente alvi-verde" e "copa rio de 1951" serão tolerados como forma de exceção - tão necessária para a constituição de qualquer regra.

Friday, December 16, 2005

Previsão do tempo

O Sol reaparece hoje, desde manhã. Pancadas de chuva previstas para assim que você descer do ônibus.

Thursday, December 15, 2005

Cientistas medem pela primeira vez uma anã branca

Após mais de 15 anos de tentativas frustradas, cientistas da Universidade de Cambridge, em trabalho conjunto com membros da Academia Real de Medição Universal Inglesa, foram capazes de medir uma anã branca.
A anã, cujo nome não foi revelado, comportou-se bem durante todo o processo. "Certamente a cooperação da própria anã foi fator determinantepara o sucesso da pesquisa" afirmou John Holyhand, cientista chefe da equipe.
Dados ainda não oficiais sugerem que a anã branca tinha uma altura de aproximadamente um metro e vinte e dois centímetros, aliados a poderosos bustos de 73 cm e 76 cm de quadris. Tratam-se de números impressionantes se levados em consideração os resultados obtidos na década de 70 nas primeiras experiências envolvendo anãs negras e orientais.
Segundo o pesquisador da Academia Real, Saulman Shaux, os resultados obtidos podem contribuir muito para a superação do obsoleto sistema métrico, utilizado na maior parte do mundo: "O sistema de anões brancos mostra-se cada vez mais preciso. Sua confiabilidade é infinitamente superior a qualquer sistema já criado até hoje".
(colaborou Zé).
Bem, pelo menos seria uma notícia mais interessante que http://www.estadao.com.br/ciencia/noticias/2005/dez/14/74.htm

Monday, December 12, 2005

O PRIMEIRO POST

Assim eu quereria o meu primeiro post

Que fosse terno dizendo as coisas mais simples e menos intencionais
Que fosse ardente como um soluço sem lágrimas
Que tivesse a beleza das flores quase sem perfume
A pureza da chama em que se consomem os diamantes mais límpidos
A paixão dos suicidas que se matam sem explicação.

Entretanto, este é o segundo post.

MUITA CAMARADAGEM E POUCA FILHADAPUTAGEM OS MALES DO BRASIL SÃO.

“Arre, estou farto de ser um semideus!” – Fernando em Pessoa

Não existe nada mais falso do que um amigo verdadeiro. Um amigo verdadeiro é como aquele professor preguiçoso que não dá nota zero para não ter que corrigir uma prova a mais no semestre seguinte. Ou, melhor ainda, o amigo verdadeiro é aquele professor que dá a nota mínima oito, para não correr nem mesmo o risco de perder tempo em uma eventual revisão de provas – quem em sã consciência reclamaria de uma nota oito?

Pois bem. Eu reclamarei. E no seu íntimo, todos os escritores frustrados de blog reclamarão também.

O amigo verdadeiro é aquele que é incapaz de falar “está uma bosta” – nossos textos são sempre geniais, únicos, revolucionários. Somos sempre a Zíbia Gaspareto, digo, o Machado de Assis da nova geração. O amigo de verdade não liga para a verossimilhança. O amigo de verdade não liga para a originalidade. A verdadeira amizade encontra bases sólidas no local onde não se respeitam as regras ortográficas e gramaticais. Ah, regência verbal! Que entende você de amizades!?

Não podemos nos olvidar das linhas de baixo – e me refiro às musicais. O bom amigo é aquele que não as ouve, mas considera todas maravilhosas. O amigo médio é aquele que, por um infortúnio qualquer, nasceu com a inútil habilidade de saber identificar e reconhecer o som de um contra-baixo – e a avaliação é positiva. Sempre. E o que dizer da métrica então? O bom amigo é aquele que aprecia versos brancos e livres! Chorão, por exemplo, possui um grande número de amigos com hormônios a flor da pele.

Ah, mas não só de belas amizades é feito o mundo! Quem precisa das amizades verdadeiras são as crianças que fazem malabares na frente dos carros nas esquinas da cidade. Nós não. Nós precisamos dos filhas da puta. O filha da puta critica, mesmo quando não há crítica a fazer. O filha da puta lê o texto, ouve a música, numa busca frenética pelo deslize. O filho da puta é o caminho para o aprimoramento.

Não o filha da puta anônimo – pois este é um amigo travestido -, mas sim o filha da puta identificável que dá a cara, o blog e a banda para bater.

Filhos conhecidos das putas desconhecidas, este blog é para vocês.